O discurso travado por Passos Coelho

Era uma má notícia aquela que Henrique Gomes iria anunciar se, a 7 de Março passado, não tivesse sido impedido de intervir numa conferência no ISEG. Responsável, no Governo, pela correcção das rendas excessivas pagas pelos contribuintes que alimentam as demonstrações de resultados dos produtores de energia, o ex-secretário de Estado da Energia tinha um aviso importante para fazer à opinião pública: Os preços da electricidade poderão subir mais de 10% em 2013. E o agravamento da factura até poderá chegar a 30%, caso não haja um diferimento da liquidação de uma das categorias de subsídios criados pelo governo dos estarolas que beneficiam o sector energético (EDP / REN), seguindo a prática corporativa do Estado Novo.

Sabe-se, agora, como a história acabou. Muito ao contrário do que o aldrabão Passos Coelho publicitou no livro “MUDAR” de 2010, em que “expôs o seu diagnóstico” e as suas pseudas reflexões sobre os caminhos de saída para os problemas do País, tal qual um feirante vende o seu peixe em estado podre, não só as más notícias foram ferozmente censuradas, como o “mensageiro” viu decretado o seu óbito político. O mesmo que já em Outubro de 2011 tinha já batido com a porta e que, a rogo e com enganadoras promessas de Passos, adiou a sua saída.

Talvez porque, como Henrique Gomes explicou, lutar por uma causa em que está em jogo combater benefícios injustificados que uns obtêm excessivamente à custa dos bolsos de muitos outros é uma causa merecedora de mais dedicação do que a baixa política que se limita a gerir interesses, nem que para isso tenha de se vergar.

Em ditadura (mesmo com máscara democrática) o ditador não tolera ser contrariado e desmascarado, sobretudo se for em público como aconteceria nesta Conferência de Henrique Gomes no ISEG, que só foi possível ser travada com a sigilosa informação sobre o teor da palestra prestada a Passos Coelho pelo presidente daquela instituição, o bufo João Duque.

Transcrição do blogue de José Pires

NOTA: Será mesmo verdade, caro José Pires? Depois de me surgir esta dúvida recebi dados convergentes vindos de outras origens, mas a minha «confiança» leva a ter dúvidas sobre esta politiquice dos nossos eleitos. É impressionante esta promiscuidade, esta mistura entre os interesses públicos e os privados. Com tal submissão ao capital como podemos sair da crise? Dizem que não querem rasgar contratos que vêm do tempo das vacas gordas, mas isso só vale para os poderosos do capital, porque para os simples cidadãos, não têm pejo em rasgar a lei que criou os subsídios de férias e de Natal e muitos outros «direitos adquiridos. Onde está a equidade, a justiça social, a partilha justa por todos dos sacrifícios da austeridade?

Imagens de arquivo

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