Gravata é culpada da crise !!!

Há decisões brilhantes pela sua originalidade e pela surpresa. A lenda do «ovo de Colombo» continua a ter reedições impressionantes. Estando o País em crise por os governantes terem ignorado que o défice é resultado de as despesas serem superiores às receitas, por luxos ostentatórios, por esbanjamentos irresponsáveis do dinheiro público, por instituições fictícias só destinadas a emprego de amigalhaços, etc., a ministra da Agricultura teve o ideia «inteligentíssima», mais brilhante do que o sol, de dispensar o uso de gravata para poupar no ar condicionado (notícia de 14 de Julho).

Mas, curiosamente, ficou por aí na sua exemplar dedicação à causa de reduzir o défice e, passado precisamente um mês, ainda não surgiu um gesto para extinguir ou fundir algum dos institutos referidos por Marques Mendes no seu estuado publicado no PÚBLICO em 07-10-2010, que fazem parte da seguinte lista:

Ministério da Agricultura – 3

1. No âmbito do PRODER (QREN da Agricultura) há 2 serviços:

a) Gabinete do Planeamento (Concebe Projectos e Gere o Programa); e o
b) IFAP (antigo IFADAP) – Paga e fiscaliza os apoios concedidos.

CONCLUSÃO: O Gabinete de Planeamento pode ser extinto e as suas competências passarem para o IFAP.É mais coerente, evitam-se sobreposições de competências e poupa-se dinheiro público.

2. Fundação Alter Real

a) Competências sem relevância para serem autonomizadas numa fundação pública;
b) Tem cinco administradores – presidente é o presidente da Companhia das Lezírias.
CONCLUSÃO: A fundação pode ser extinta e as suas competências integradas na Companhia das Lezírias (hoje até já o presidente é o mesmo).

3. No âmbito da Barragem do Alqueva há duas entidades:

a) a EDIA (190/200 funcionários) que tratou da construção da barragem do Alqueva; e a
b) GESTALQUEVA (trata do fomento do turismo na zona do grande lago)
c) Não há razão nenhuma para esta duplicação de organismos:

Primeiro: EXTINGUIR A GESTALQUEVA, colocar as competências na EDIA ou concessionar a privados (fomento do turismo);
Segundo: EMAGRECER A EDIA (já acabou a construção da barragem).

Mas a Senhora ministra, se mostrou muito zelo ao atirar-se à gravata (objecto machista!), pode estar descansada porque no restante, ao não reduzir os «jobs» para os «especialistas», assessores ou «boys» ( conforma o gosto pelos termos do dicionário), está em sintonia com o seu colega ministro das Finanças que declarou que, para reduzir a dívida, a solução é aumentar impostos, sejam extraordinários ou não, e teve a ousadia de aumentar o IVA da electricidade e do gás para 2,83 vezes mais. Quem pagava 10, passa a pagar 28,3. E não esqueçamos que este é um imposto sem escalões, com factor de multiplicação igual para pequenos e grandes consumidores, isto é, tanto para o que gasta nestes serviços grande parte do que ganha como aqueles para quem essa despesa é um «cagagésimo» dos seus proventos, o que levou um dos grandes ricaços a propor tal solução (notícia do Público de 01-09-2010).

Para o muito esclarecido ministro, a redução das despesas, ao contrário da tese de Marques Mendes, teria uma influência mínima na diminuição da dívida !!!

Apesar das atitudes de muitos brasileiros, temos que reconhecer que Dilma Rousseff respeita valores éticos e tem coragem para demitir ministros que, por atitudes menos éticas ou patrióticas, não se sintonizam com os grandes objectivos que ela se propôs para bem do seu País.

Imagem do Google

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