Somália, seca, fome e pirataria

O caso da Somália constitui um exemplo de que, em geoestratégia, não há um factor que, só por si, garanta supremacia ou posição desafogada. É indispensável uma interacção bem equilibrada entre os diversos factores, de forma a que os mais fortes possam compensar os mais fracos. Na Somália, a posição geoestratégica, controlando a passagem do mar Vermelho para o oceano Índico é, sem dúvida, uma valia de alta importância mas carece do suporte de outros factores para dela serem tirados dividendos.

As realidades mostram fracos recursos naturais, excepto o incenso que a fez conhecer como a «terra dos aromas», terreno sem vocação para a agricultura nem para a pecuária, fizeram que vivesse à base do comércio explorado por colonizadores iemenitas, abexins, etíopes e, mais tarde, italianos.

Depois da independência (1 de Junho de 1960), ainda não viveu em paz por período aceitável, um pouco por más relações com países próximos, mas principalmente por difícil relacionamento entre as facções que desejam o poder.

Para agravar a situação, os seus habitantes aventuram-se, desde há alguns anos, à pirataria, o que tem gerado animosidade em todo o mundo. A ONU, para garantir a navegação segura de petroleiros, cargueiros e navios de cruzeiro, tem empenhado volumosos meios navais de todo o mundo para fazer face à pirataria. Olhando para a acção da ONU, fica-se com a dúvida de se teria sido mais eficaz desviar o investimento nesses meios, dirigindo-o ao combate às causas do problema, isto é, ao apoio à população, a um governo forte que estabelecesse a ordem interna e, dessa forma, criasse condições para iniciar a produção possível de meios de vida e de exportação (animais vivos, produtos de pesca, bananas, etc.).

Mas a ONU carece de ideias iluminadas para encarar com racionalidade os problemas de países que não têm petróleo ou não têm utilidade directa para os membros permanentes do Conselho de Segurança. Mas, depois de terem deixado chegar o povo deste país ao estado em que se encontra, aparecem notícias de que Secretário-geral da ONU pede ajuda urgente para a Somália e de que Dezenas de milhares estão “em risco de morte” na Somália. Ora os Direitos Humanos e as acções humanitárias não devem circunscrever-se a actos isolados e espectaculares, mas revestir-se de uma atenção constante para agir preventivamente antes de se atingirem situações dramáticas como mostram as imagens seguintes.

Imagem do Google. As imagens do álbum são de ROBERTO SCHMIDT/AFP

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