Grandes industriais vs justiça social

Em 1 de Setembro de 2010, o Público trazia a notícia Soares dos Santos defende redução do IRS e IRC e aumento do IVA, que deu origem ao post Justiça Social de que se transcreve


«…esta proposta de um capitalista não surpreende. Defende os seus interesses e os dos seus pares do topo da lista dos mais ricos e não tem escrúpulos de agravar tragicamente a vida dos mais pobres. Efectivamente, quer aliviar o IRS e o IRC que afectam mais os que têm rendimentos mais altos e libertam os que pouco têm. E, pelo contrário, quer agravar o IVA que afecta, por igual, todos os consumidores desde o mais pobre que apenas compra um pão para enganar a fome. Se tal ideia fosse aceite, aumentaria de forma trágica o fosso, já demasiado acentuado, entre os mais ricos e os mais pobres!!!»

Embora pareça que o IVA, afectando todas as transacções é um imposto justo, não é. Como o pobre gasta tudo o que recebe (quando recebe) em produtos de primeira necessidade e, portanto, o IVA incide sobre todos os seus proventos, fica em situação incomparavelmente mais grave do que a do rico que apenas gasta uma pequena parte daquilo que aufere, indo o grosso dos proventos para investimento, poupança, depósitos em offshore, etc.

Mas esse magnate, apesar da guerra verbal havida com o PM levou a melhor com subidas sucessivas do IVA. E agora já se faz ouvir António Saraiva Presidente da CIP espera aumento do IVA para 24 ou 25 por cento.

Os argumentos atrás apresentados contra esta solução para resolver o défice parecem suficientes, mas juntam-se-lhes vários alertas de numerosos portugueses pensantes e patriotas. Por exemplo:

O Presidente Cavaco Silva sublinhou que os portugueses não podem ter ilusões porque Portugal chegou a uma “situação explosiva” e insistiu na “distribuição justa” dos sacrifícios. E esta não será aquela que os grandes empresários estão a colocar insistentemente na mesa dos governantes.

Francisco Assis, candidato a líder do PS, disse que o partido deve concentrar-se em “produzir um discurso sério ao nível da economia e das questões sociais“. “Essas são as questões mais importantes e coloco-as claramente acima de tudo aquilo que tenha que ver com alterações ao nível do sistema político”.

Espera-se que o Governo nunca deixe de estar atento às necessidades da maioria da população e consiga evitar que o seu desagrado se torne explosivo, para o que não deve perder de vista os aspectos de justiça social que merecem a maior prioridade. É preciso governar para o Povo e pelo Povo e, sempre que possível, com o Povo, dialogando com as pessoas e com quem esteja perto delas. Por exemplo, na Islândia, está a ser dada voz aos populares através das redes sociais, para a revisão Constitucional.

Imagem do Google

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