Feriados e festas é do que o povo gosta

Transcrição de artigo seguida de NOTA:

Feriados explicados aos enviados do FMI
06 | 06 | 2011 20.20H. ISABEL STILWELL | EDITORIAL@DESTAK.PT

A primeira tarefa difícil de Passos Coelhos vai ser a de explicar à ‘troika’ que vamos incumprir todos os prazos. Antes de mais, porque é sempre bom que se comece como se pretende continuar, e depois porque os senhores são capazes de estranhar o País parado durante o resto do mês de Junho, e querer saber porquê.

Cabe então a Passos Coelhos, coadjuvado por Paulo Portas, explicar-lhes que embora Portugal tenha aprovado a lei do aborto, a lei do casamento entre homossexuais, protestado contra os crucifixos da escola e faça um finca-pé diário em deixar claro que por cá reina a separação clara entre o Estado e a Igreja, dando a ilusão de ser um país muito para a ‘frentex’, na realidade é um País de uma religiosidade profundíssima, alicerçada na maior das devoções aos seus santos populares, insistindo em celebrar (sem passar pela Igreja, bem entendido) qualquer outra data do calendário sagrado.

Aliás, este périplo pelos santos dá aos nossos novos líderes uma oportunidade única de iniciar os representantes do FMI na teologia, mas também nas tradições e na gastronomia de cada região. Convém que não se esqueçam de lembrar que o Santo António de Pádua, na realidade é o de Lisboa, Fernando de Bulhões nascido no início do século XII e a quem é atribuído o dom da ubiquidade, o que poupa imenso em transportes, sendo além do mais o consumo de sardinhas um incentivo à produção nacional.

Esclarecem-nos, de seguida, que o S. João (Baptista, que o Evangelista é em Dezembro) é o patrono dos empresários do Norte, e que já o S. Pedro revela a solidez de pedra da nossa economia.

É claro que vai ser preciso mais latim para traduzir o significado do Corpo de Deus, mas nada comparado com a sabedoria e o parlapiê que implicará fazer entender porque é que paramos de trabalhar para celebrar o Dia de Portugal Falido. Mas, também, se não forem capazes de os fazer entender coisas tão simples, estão perdidos à partida.

NOTA: Este artigo alia alguma ironia com dados religiosos. Há muito tempo que se fala na conveniência da redução do número de feriados e na celebração dos restantes durante o sábado ou o domingo mais próximo. Neste momento estamos perante umas mini-férias, principalmente em Lisboa e muitos outros concelhos: Na sexta é o Dia de Portugal, depois segue-se o sábado e o domingo e, na segunda, é o dia 13 feriado municipal do Santo António. E o mês não fica por aqui, pois há os dias 24 e 29 que além de serem feriados municipais em muitos concelhos, são tradicionais dias de festa e noitada.

Quando ao Dia de Portugal, espera-se que o PR, para ser coerente com as suas palavras de que se deve produzir mais e melhor e se devem aumentar as exportações, condecore empresários que mais exportaram, que mais empregados têm, que paguem uma média salarial mais alta, que paguem mais impostos, etc. Isso seria um estímulo visível para desenvolver Portugal.

Imagem do Google

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