Imponderáveis da partidocracia

Com a ideia de colaborar na informação e na transparência, para facilitar a reflexão que cada eleitor deve efectuar para votar em consciência com base no seu raciocínio, transcreve-se o seguinte artigo a que se seguirá uma NOTA:
por Ana Sá Lopes, Publicado em 22 de Abril de 2011
Em 2009, houve grande disputa pelo troféu das Finanças. Agora foi vítima de despedimento sumário.
Quem foi o ministro mais talentoso nos comícios da campanha do PS de Setembro de 2009? Fernando Teixeira dos Santos, um independente da “casa”, desejadíssimo para número 1 do Porto e na altura só afastado do lugar cimeiro porque Alberto Martins, então líder parlamentar, ameaçou ficar fora das listas se o lugar de nº 1 do Porto não lhe fosse entregue. Teixeira dos Santos era tão bom, tão bom, nas lides partidárias que foi dos raros a ser cabeça-de-cartaz em dois comícios – no gigantesco do Porto, onde acabou como número 2 da lista, e no comício de Viseu.
E só não foi o melhor orador do Porto porque estava lá Mário Soares.
No palco dos comícios, Teixeira dos Santos estava como peixe na água e parecia que tinha dedicado a vida toda a subir a palanques para mobilizar militantes. Em Viseu, dizia ter chegado a hora de “recordar Zeca Afonso” e gritava “Traz outro amigo também”, apelando ao voto no PS. “Há vida para além desta crise! Há futuro para além desta crise!” era entoado a plenos pulmões pelo ministro naqueles dias de Setembro e a terrível ironia foi o seu futuro político ter sido liquidado na sequência da crise.
Como qualquer político, apelava ao imaginário heróico local: em Viseu socorria–se de Viriato, como no Porto da revolução liberal. “Estou em Viseu, terra de Viriato. É em honra de Viriato que nos apresentamos ao eleitorado, respeitando a palavra dada e os compromissos assumidos”.
No Porto, a lista de feitos mitológicos era mais longa: no “distrito de gente laboriosa e generosa”, Teixeira dos Santos lembrava como o Porto “deu o seu nome ao país, Portucale” entre variados heroísmos. “Nós demos o nosso melhor quando o país se abalançou na expansão para África. Ficámos com as tripas e somos tripeiros com muito orgulho! Vertemos o nosso sangue para resistir às invasões francesas! Estivemos com a revolução liberal e ao lado do combate político pela liberdade e democracia a seguir ao 25 de Abril!”.
A Teixeira dos Santos coube o papel de denunciar “a esquerda radical”, nomeadamente o seu amor pelas nacionalizações. Foi o grande combatente da proposta do Bloco de Esquerda de acabar com os benefícios fiscais dos PPR. “Este é o ataque fiscal mais forte de que há memória! Não é uma pedrada! É um verdadeiro bloco atirado às famílias e à classe média portuguesa!”.
Teixeira dos Santos prometia no comício do Porto que o PS não teria medo de esconder a sua face aos eleitores. “Temos de assegurar ao país um sistema financeiro robusto e estável”. Nessa altura, ainda todo o governo, a começar pelo ministro das Finanças, acreditava em fadas. “Ganhámos o respeito internacional. Os resultados estão à vista. O caminho que escolhemos é o caminho certo. Há que prosseguir este caminho!”.
Tudo acabou na quarta-feira de cinzas do FMI, quando o ministro enfrentou Sócrates e anunciou sozinho o iminente pedido de resgate.
NOTA: Na política como no moderno consumismo, os utensílios que deixam de ter utilidades são descartados e, por vezes, nem são recicláveis. Há notáveis do PS que lamentam a exclusão de Teixeira dos Santos das listas. Mas o «querido líder» achou que ele chegou ao fim da validade!

Pormenores como este podem denunciar que a democracia está doente. Com efeito, nas eleições, os eleitores terão que escolher de entre listas com nomes que desconhecem e sem nomes que consideram válidos, havendo listas que não merecem a concordância de notáveis dos respectivos partidos. Desta forma, há listas que poderão perder credibilidade e ficar fora das possíveis escolhas dos eleitores esclarecidos e de séria formação moral e, se outras listas não lhes agradarem, resta-lhes a abstenção ou o voto em branco.

Imagem do Google
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